Por dentro do Alternatiba

“Para uma mobilização ter sucesso precisa de três elementos: resistência, insubordição/boicote, modelos alternativos/propositivos”

Os ativistas do Alternatiba dividiram uma bicicleta por cinco mil quilômetros para mobilizar a população

texto Cécile Marchand*

A idéia de criar o Alternatiba veio depois da COP15, realizada em Copenhaguen em 2009. Após o insucesso das partes em chegar a um acordo ambicioso, concluímos que o movimento climático falharia se fosse focado apenas em pedir ação dos governantes. De nossas reflexões, emergiu uma nova estratégia: construir um movimento climático de baixo para cima, baseado em soluções implementadas pelos cidadãos. Assim, todo mundo poderia reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.

O maior objetivo do Alternatiba é criar um movimento em massa de cidadãos lutando por transições sociais e ecológicas, por meio da promoção de saídas para as mudanças climáticas. Nossa maior expectativa foi criar um movimento para novos ativistas oferecendo uma mensagem positiva: alternativas às mudanças climáticas existem e, quando sistematizadas, criam uma sociedade mais justa, mais sustentável, mais alegre e mais humana.

A primeira ferramenta criada para alcançarmos este objetivo foi o conceito de Vilas Alternativas. A primeira aconteceu em Baiona (França) em Outubro de 2013. Na corrida para a COP21, lançamos uma chamada para multiplicar as Vilas Alternativas. Hoje, a maior parte das 94 vilas é organizada na França, mas também há muitas em outros lugares da Europa. Sua produção envolve iniciativas locais (ex: jardinagem de comunidades, lojas de aluguel de bicicletas, moeda local) e organizações regionais, por exemplo, o Greenpeace.

O segundo passo foi o “Tour Alternatiba”: um passeio de quatro meses pela França e países vizinhos, como um símbolo de transição ecológica e solidariedade. Esse tour de bicicletas buscou aumentar a mobilização alguns meses antes da COP21. Graças às vilas e ao tour de bicicletas, o Alternatiba conseguiu reunir mais de 500.000 pessoas em dois anos.

Na minha perspectiva, para uma mobilização ter sucesso, ela precisa de três elementos:

  • _Resistência
  • _Insubordinação/Boicote
  • _Modelos Alternativos/ Propositivos

O movimento Alternatiba é pioneiro em promover um modo de vida alternativo. Reforçar esses três elementos é parte do plano de nosso movimento para o futuro (o qual está em discussão no momento), e a mobilização durante a COP21 irá contribuir para fortalecê-los.

Às vésperas da COP21 e pós-ataques terroristas, estou feliz de termos iniciado o processo dois anos atrás. As bases do movimento foram estabelecidas. Independente do que acontecer na COP21, o Alternatiba permanecerá e continuará a envolver pessoas. Usaremos essa oportunidade para fortalecer nossos laços e continuaremos a treinar uma nova geração de ativistas. Considero a situação como um desafio à nossa capacidade de reagir rapidamente a mudanças externas.

* Cécile Marchand é estudante de ciências políticas em um mestrado duplo na França e Alemanha