Uma bike, uma música e gente feliz

Levar a festa para todos os lugares. Esse era o objetivo de Ricardo Bertello, mais conhecido como Dadu, depois de largar o emprego na área de contabilidade. Para isso, uniu a sua experiência como DJ nas horas vagas a uma bicicleta munida de placas solares, caixas de som e notebook. Um pouco nervoso, no dia 17 de outubro, Dadu saiu em direção a uma praça perto de casa para realizar dois sonhos: comemorar o aniversário de 34 anos em um lugar público, com uma festa aberta a qualquer um que quisesse bater um papo e ouvir uma música, e dar início ao Bikebeats. A festa e a música duraram 10 horas seguidas e, desde então, todo fim de semana, Dadu toca em algum ponto da cidade de São Paulo. “Eu acho que está uma onda boa de ocupação do espaço público. Antigamente São Paulo era só shopping, agora todo mundo está indo para a rua e recebe muito bem a bike”, conta ele. Quer conhecer melhor o Bikebeats ou dar uma dica de lugar legal para Dadu tocar? É só entrar na página do projeto do Facebook.

Bikebeats: www.facebook.com/bikebeats303 Foto: Divulgação/Bikebeats
boraplantar.wix.com/boraplantar Foto: Heloísa Vasconcelos

Plantando e colhendo água

Insatisfeito com a forma como o poder público lida com a crise hídrica que afeta o estado de São Paulo, o coletivo Bora Plantar decidiu colocar a mão na massa - ou melhor, na terra - para ajudar a solucionar o problema. Seus integrantes promovem mutirões de reflorestamento em mananciais de São Paulo, contribuindo para que continuem produzindo água. O projeto se mantem por meio de doações de pessoas e empresas, que levam os seus funcionários para a atividade.As datas dos plantios são anunciadas no Facebook do coletivo. No dia combinado, o grupo busca os voluntários de ônibus no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, para levá-los até o manancial escolhido. Depois da atividade (que vai das 8h às 16h), é servida a ceia. Curtiu? Então, Bora Plantar?

Amazônia como ela é

Apesar de muitas pessoas ainda imaginarem a Amazônia como uma região idílica, a área vem se urbanizando de forma desordenada. O impacto disso nos cursos de água da região é preocupante, já que os serviços de saneamento básico não acompanharam esse processo, e é comum que surtos de diarreia e outras doenças causadas por água contaminada acometam a população. Mas a Rede InfoAmazonia quer mudar essa realidade, enviando sms para os moradores com informes sobre a qualidade da água que eles consomem. Esses relatórios serão feitos com base nas informações coletadas por oitenta sensores instalados em caixas d’água e outros reservatórios nas cidades de Manaus, Belém, Porto Velho e Rio Branco. “A gente espera que a nossa informação sirva de subsídio para que as pessoas cobrem políticas públicas para a melhoria do saneamento. Eu não acho que vai ser fácil, mas eu acho que vai dar certo”, explica Gustavo Faleiros, um dos idealizadores do projeto. A Rede também tem planos de expandir o monitoramento para outras áreas do País e está a procura de parceiros para isso.

Manual para mudar o mundo

Há 44 anos um jovem grupo de amigos começou a navegar por zonas de testes nucleares, bloqueando navios baleeiros russos e interrompendo a matança de focas. Sem saber, eles criavam o Greenpeace e também o movimento ambientalista moderno. Dirigido pelo diretor Jerry Rothwell, o documentário “How To Change The World” mostra o nascimento, as motivações, inspirações, os desafios e sucessos da organização. A partir de imagens da época e de depoimentos atuais das pessoas envolvidas na criação do Greenpeace, testemunhamos a resistência do status quo perante a sociedade em mudança, e as fragilidades muito humanas de heróis e heroínas comuns. O documentário carrega a ideia de que todos podemos mudar o mundo e divide a missão em cinco passos. Ficou curioso para saber quais são? Então fique de olho no site do filme, que já foi premiado no Festival de Sundance e será lançado por aqui no início de 2016.

Contando dias melhores

Muitas pessoas querem ajudar o Greenpeace a mudar o mundo, mas o que nem todos sabem é que existe uma forma bem simples de fazer isso. Neste fim de ano, a ONG lança, no Kickante, um crowdfunding de calendários que mostram a biodiversidade amazônica em ilustrações feitas por 12 artistas. Quem colabora com valores a partir de R$ 35 recebe um exemplar do calendário, contendo uma folha de papel semente, para dar início a uma horta. Todo o dinheiro arrecadado ajudará o Greenpeace a continuar a luta pela preservação do meio ambiente e pela promoção da paz.

Voz inspiradora

"Eu sou do tipo de pessoa que mete o pé na porta. Talvez o fato de ser homossexual e ter convivido com o insulto, com a injúria e com o desrespeito desde a minha mais tenra idade, me fez entender que respeito a gente conquista. Ninguém concede respeito pra gente", essa foi uma das falas do Deputado Federal Jean Wyllys, que esteve no Greenpeace no dia 16 de outubro, inspirando os funcionários com a sua história e os seus ideais. Ele falou sobre a infância vivida na extrema miséria, sobre ter aproveitado a fama que conseguiu ao participar do reality show Big Brother para amplificar os seus ideais políticos e também sobre as dificuldades de promover mudanças em um cenário político tão conservador. “O Norte do meu mandato é a afirmação dos direitos humanos. Toda pessoa humana é portadora de um conjunto de direitos inatos que independe de Constituição. A minha batalha é fazer entrar nesse quadrado da humanidade grupos que são desumanizados”, definiu ele. Os melhores momentos da conversa podem ser conferidos no YouTube.

No encalço da luz

De onde vem a energia que você gasta para tomar banho, iluminar um ambiente e ler este texto? Da força das águas, dos ventos ou da queima de combustíveis poluentes como carvão e diesel? Você descobre consultando o SEEG Monitor Elétrico, uma plataforma online criada pelo Observatório do Clima, pelo Greenpeace e pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). A ferramenta não só mostra o aproveitamento de cada fonte, mas também o quanto de gases do efeito estufa é emitido para produzir energia. O monitor disponibiliza informações preciosas para que você cobre os governantes por investimentos em energia limpa e renovável.

Entra e fica a vontade

Ao contrário das pessoas que aumentam a altura dos muros e colocam grades nas janelas, a jornalista Natália Garcia e a ilustradora Juliana Russo abriram as portas da sua casa para quem quiser entrar. Na Sala Aberta, como elas batizaram o lugar, há exposições artísticas, aulas de desenho, lançamento de livros e outras atividades. Além disso, elas colocaram cangas e banquinhos na calçada para que as pessoas possam sentar e conversar. “Os vizinhos, que já nos conhecem, se sentem a vontade, chegam e sentam. Mas quem ainda não conhece, primeiro olha, depois pergunta. O fato de você estar me entrevistando mostra que esse tipo de iniciativa ainda é vista com um pouco de estranheza”, explica Juliana. A ideia do projeto veio depois de uma viagem que as duas fizeram para Berlim, uma cidade projetada para pessoas, onde há muitos parques. “Por aqui, eu sinto que isso ainda está em processo. É uma conquista das pessoas da região, mas ainda tem uma cobiça pelas vagas de carro e os motoristas se incomodam. Nunca reclamaram, mas vejo pelas caras. Sinto que há uma resistência. As pessoas gostam, mas têm dificuldade de compreender”, explica a artista plástica. Quer fazer uma visita? Na página do Facebook do projeto há mais informações sobre os horários em que as duas estão em casa e sobre as atividades oferecidas na residência.

www.facebook.com/projetosalaaberta/ Fotos: Patrícia Stavis, Divulgação/Sala Aberta, Isadora Ferraz

Correndo se chega ao longe

Como você vai para o trabalho, para a escola ou para os lugares aonde precisa ir diariamente? Já pensou em ir correndo? Dessa forma você fica mais saudável, mais feliz, economiza dinheiro, não polui o ar e ainda desenvolve uma relação mais próxima com o espaço público. Se você quiser tentar, o pessoal do Corrida Amiga te dá uma forcinha. Criado no início de 2014, o site coloca em contato pessoas que já utilizam a corrida como meio de transporte e outras que gostariam de fazê-lo mas precisam de dicas ou não se sentem seguras para correr sozinhas. Há tanto corredores amigos quanto pedidos de corridas amigas em diversas partes do Brasil – em apenas um ano e meio de existência, o grupo recebeu cerca de 100 pedidos de corridas.

Procura-se contestadores

Há uma natureza nos jovens que os leva a desafiarem os padrões vigentes, e o Engajamundo acredita que isso os torna parte da solução para os maiores desafios que encaramos no planeta. O objetivo do grupo, nascido durante a Rio+20, é conseguir espaço para que os jovens brasileiros levem às grandes conferências internacionais as suas demandas em relação às mudanças climáticas, ao desenvolvimento sustentável, ao gênero e à habitação. “Conferências internacionais não são uma coisa à parte das nossas vidas, elas se traduzem futuramente em políticas públicas nacionais. É isso que a gente precisa entender”, explica Dari Santos, uma das integrantes do projeto, em um vídeo. O grupo também busca levar essa consciência a outros jovens e conta com mais de 500 membros, presentes em 20 estados – o que só é possível porque todas as reuniões são online. As demandas da organização foram consideradas durante o desenvolvimento da Agenda Sustentável da ONU, e alguns dos seus representantes estão presentes na COP-21, a Conferência do Clima em Paris.