Tapajós Livre

As ações mais recentes do Greenpeace para a campanha que luta contra a construção de hidrelétricas na região

fotos: ©Daniel Basil/ Greenpeace

Cientistas analisam EIA/RIMA de hidrelétricas no Tapajós

“Temos um Estudo de Impacto Ambiental, que perdeu o ‘i’ porque não avalia de forma eficiente o impacto”. Foi assim que Luciano Naka, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), definiu o estudo e o relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, prevista para ser construída no rio Tapajós, no Pará.

Naka foi coordenador de uma análise crítica e independente do EIA/RIMA de São Luiz do Tapajós, realizada, a pedido do Greenpeace, por nove pesquisadores referências em suas áreas de conhecimento. A análise, lançada no dia 29 de setembro de 2015 (fotos à esq.), em um evento em Brasília, identificou graves problemas no estudo e no relatório, comprometendo sua utilidade para avaliar a viabilidade da obra. Segundo os autores, o EIA/RIMA, protocolado no Ibama em agosto de 2014 pela Eletrobras, deve ser rejeitado pelo órgão licenciador.

O Greenpeace se opõe à construção de grandes hidrelétricas em biomas frágeis como a Amazônia, devido a seus impactos irreversíveis na biodiversidade e no modo de vida da população. Nesta publicação, buscamos demonstrar, no âmbito do Licenciamento Ambiental, a omissão e a subestimação dos impactos inerentes à construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, bem como alertar a sociedade para os riscos da política de instalação de obras desse porte na Amazônia.

A análise crítica e independente foi feita em dois formatos:

Encontro dos Sábios

No final de setembro, dois pesquisadores responsáveis pela análise crítica e independente do EIA/RIMA da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós estiveram na Terra Indígena Sawré Muybu, próxima a Itaituba, no Pará, a convite do povo Munduruku, para trocar informações sobre os impactos que serão causados pela barragem. Luciano Naka, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), coordenador da análise, e Jansen Zuanon, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), estiveram na aldeia Dace Watpu para apresentar aos indígenas as conclusões presentes na avaliação crítica e independente do EIA/RIMA. Ali conversaram com os Munduruku sobre os problemas encontrados no EIA/RIMA, puderam ouvir suas principais preocupações e conhecer sua ciência sobre o meio ambiente da região. “Os conhecimentos dos brancos e dos índios precisam andar juntos para ter equilíbrio”, afirmou Jairo Saw Munduruku.