Editorial

O que não vemos é fundamental


Por Bruno Weis
Foto: Fabio Nascimento

Transparência é algo que não se vê, mas é algo que se sente. Falando de preservação da natureza, política ambiental, novas tecnologias, então, é uma coisa fundamental. Precisamos de transparência para entender os custos e benefícios de determinada obra, por exemplo. As razões por trás de uma decisão política que impacta diretamente o meio ambiente e nossas vidas. Os interesses embutidos na aprovação de um grande empreendimento que não sabemos quem irá beneficiar além de seus executores. As entrelinhas, o que ficou oculto no discurso.

Precisamos de clareza em processos, palavras, acordos e no fluxo de informação. Transparência, nesse sentido, é causa e consequência de uma democracia madura e que conta, por exemplo, com uma imprensa livre e capaz, um regime que respeita os direitos coletivos e respeita a diversidade de modos de vida existentes no Brasil.

Pois para lançar luz sobre a importância da transparência para nossas florestas, povos que vivem da floresta, rios, fauna e flora, apresentamos aqui a terceira edição da Revista Greenpeace. A publicação traz reportagens, ensaios fotográficos, entrevistas, artigos e vídeos para serem absorvidos com calma e atenção. Nossa matéria de capa, por exemplo, faz um Raio-X das principais empresas responsáveis pela elaboração de Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do país.

Produzida em parceria com a Agência Pública de Jornalismo Investigativo por meio de um concurso de microbolsas que premiou quatro propostas de trabalho, a reportagem demonstra claramente que, longe de ser uma exceção, essas empresas responsáveis pelos EIA/Rima têm tentáculos na construção civil: ou seja, dimensionam impactos de uma grande hidrelétrica com interesse na construção da barragem. Há transparência possível nisso?

Outra reportagem desta edição mostra como tudo que o povo Munduruku quer é ter seus direitos respeitados e transparência no diálogo com o governo sobre os planos de construção da hidrelétrica no rio Tapajós, seu lar sagrado.

Também falamos sobre o que aconteceu com a cidade de Altamira e seus moradores com o não-cumprimento das medidas compensatórias previstas por Belo Monte, usina hidrelétrica em construção no Rio Xingu.

A edição ainda conta a história de vidas transformadas pela energia solar – e detalha minuciosamente o funcionamento de uma placa solar -, apresenta novas formas de produção jornalística independente em curso no Brasil e exibe um ensaio fotográfico sobre a crise hídrica.

Contamos com sua opinião e comentários para, na próxima edição, seguir melhorando.

Muito obrigado e boa leitura!

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